Histórico

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PRIMEIRA REDENÇÃO-1203

Sabemos que a fundação da Ordem das Mercês só ocorreu no ano de 1218, portanto, quinze anos após esta data. O que o ano de 1203 tem de tão importante para a história da Ordem das Mercês? Parece bem aprazível dizer que a história da Ordem das Mercês começa na verdade neste ano de 1203, ou melhor, a história de compromisso e serviço do Jovem (Pedro Nolasco) que depois se tornaria um grande imitador de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Sabemos que a fundação da Ordem das Mercês só ocorreu no ano de 1218, portanto, quinze anos após esta data. O que o ano de 1203 tem de tão importante para a história da Ordem das Mercês? Parece bem aprazível dizer que a história da Ordem das Mercês começa na verdade neste ano de 1203, ou melhor, a história de compromisso e serviço do Jovem (Pedro Nolasco) que depois se tornaria um grande imitador de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Com a utilização desta data queremos dizer que nosso fundador, Pedro Nolasco, não começou o seu trabalho de redimir cativos no ano de 1218, mas que a esta data corresponde a fundação da Ordem, fato que foi bem aceito pelo rei e pelo bispo porque Pedro Nolasco com alguns companheiros já redimiam cativos desde o ano de 1203.
Donde encontramos esta afirmação? Um canônico chamado Pedro Oller é quem nos fornece essa informação tão importante. Em seu escrito aparece Pedro Nolasco redimindo cativos já no ano de 1203. Por essa data Pedro Nolasco já tinha mais de vinte anos.
Maior de idade, Pedro Nolasco, pode tocar à frente o trabalho de seu pai como comerciante ou mercador. Será essa mesma profissão que permitirá a Pedro Nolasco o contato com outras culturas e com os cristãos cativos. É a partir do contato, da experiência concreta com os cativos que Pedro Nolasco sente que o Evangelho deve se tornar carne em suas carnes. Ele tem contato com os cristãos que, por causa da fé em Cristo Jesus, estavam aprisionados. Nolasco compartilhava com os cativos uma coisa: a mesma fé. E é justamente por causa da fé (para que os cativos não perdessem a fé) que Pedro Nolasco se sentirá impulsionado a fazer alguma coisa por eles. A única forma de conseguir a libertação desses cristãos cativos era comprando-os.
Assim Pedro Nolasco faz: compra os cristãos que estavam no cativeiro por causa da fé para poder conceder-lhes a liberdade. Neste primeiro momento Pedro Nolasco e seus companheiros redimiam os cativos com suas próprias economias e seguirá fazendo esta bela obra, ou podemos dizer, fortalecendo suas convicções interiores durante quinze anos. São esses primeiros quinze anos que darão a força necessária para a frondosa árvore de Nolasco continuar vigorosa e desempenhando sua missão dentro da Igreja.
A vida de Pedro Nolasco mudou completamente desde o momento que ele tomou contato com os cristãos cativos. Foi justamente este fato que proporcionou a fundação da Ordem no ano de 1218.

FUNDAÇÃO DA ORDEM MERCEDÁRIA- 1218

escudo merced limpioContam nossas histórias mais antigas que na noite do dia primeiro de Agosto Pedro Nolasco estava inquieto e, angustiado, elevava suas orações a Deus. Fazia quinze anos que ele tinha tido contato com o primeiro cristão cativo que havia tocado o seu coração. Desde aquele instante ele sentiu a necessidade de fazer alguma coisa para com os cativos, para poder libertá-los.
Quinze anos haviam passado desde que ele tinha feito a primeira redenção e, agora, com o peso do tempo às costas e a certeza crescente de que seu trabalho era muito necessário para a sociedade e para a Igreja estava angustiado porque suas forças econômicas já se tinham esgotado. Naquela noite do dia primeiro de Agosto, quando rezava e pedia ajuda para saber lidar com essa situação, Pedro Nolasco foi tocado por Maria.
Ela, que no princípio tinha sido convidada pelo anjo Gabriel para a missão de ser a mãe do Salvador, agora se faz mensageira de Deus e traz a Pedro Nolasco o convite de Deus para uma bela missão: libertar os cristãos cativos transformando o seu trabalho numa Ordem Religiosa. Costumamos colocar na boca de Maria as palavras que se encontram no prólogo das Constituições Amerianas: “O Pai e o Filho e o Espírito Santo, em cujas obras não há divisão, por sua misericórdia e por sua grande piedade, decretaram fundar e estabelecer esta Ordem, chamada ‘Ordem da Virgem Maria das Mercês da Redenção dos Cativos de Santa Eulália de Barcelona’ e para executar este decreto constituíram como seu servidor, mensageiro, fundador e promotor a frei Pedro Nolasco”.
Pedro Nolasco recebe esta missão na noite do dia primeiro de agosto de 1218 e, poucos dias depois, já está tudo encaminhado e se procede à celebração de fundação da Ordem. Tal fato teve a presença do Rei (Jaime I de Aragão) e do Bispo (Berenguer de Palau). Este presenteou a Ordem recém-fundada com a cruz da catedral de Barcelona. Aquele presenteou a Ordem com o brasão de armas da Coroa de Aragão. É a partir destes dois presentes que Pedro Nolasco pôde fazer o escudo mercedário.
As Constituições Amerianas são claras no que se refere ao trabalho que a Ordem deve desenvolver: “trabalhem – os frades – de bom coração e de boa vontade em visitar e libertar os cristãos que estão em cativeiro, e em poder dos sarracenos ou de outros inimigos de nossa fé.” Não é de qualquer forma que os Mercedários devem trabalhar, mas sim como Cristo Jesus que – continuam as Constituições – “… agindo com caridade verdadeira” […] “vindo a este mundo, tomando carne da Gloriosa Virgem Santa Maria, existindo como verdadeiro Deus e verdadeiro homem em uma só pessoa e sofrendo por nós morte e paixão, visitou – pois sempre visita seus amigos – e libertou aos que estavam no inferno.”
A este trabalho Pedro Nolasco foi chamado: visitar e libertar, como Cristo que sempre visita seus amigos libertando-os das situações difíceis da vida.
A caridade que Pedro Nolasco fazia antes do ano 1218 agora se tornou uma caridade heroica porque por meio dela ele quer configurar-se com Cristo Jesus. Ele quer visitar como Jesus visita; ele quer libertar como Jesus liberta. Sim, até ao ponto de dar a própria vida, como Jesus deu a sua própria vida por nossa liberdade. Até aí queria chegar Pedro Nolasco; até aí deve chegar o Mercedário. Agir caritativamente até ao ponto de entregar a própria vida lembrando o que Jesus nos diz no Evangelho: “quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conserva-la-á para a vida eterna.” (Jo 12,25)
Foi assim, confiando na Providência Divina que Pedro Nolasco se arriscou, porque não queria ficar sozinho, porque não podia apegar à sua própria vida, porque sentia que deveria fazer algo – e muito – pelos cristãos que estavam em perigo de perder a fé, pois “cada vez que fizeste algo ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizeste” disse Jesus (cf. Mt 25).

CONFIRMAÇÃO PONTIFÍCIA DA ORDEM MERCEDÁRIA- 1235

Ganhamos uma confirmação, fomos confirmados pela Igreja em 17 de Janeiro de 1235.

Tendo passado dezesseis anos da fundação da Ordem nosso religiosos pediram ao papa que confirmasse a nossa Ordem como pertencendo à Igreja verdadeiramente e reconhecendo a sua forma de vida. Com isso não significa dizer que a Ordem nesses dezesseis anos não pertencesse à Igreja. Sim, ela pertencia à Igreja, mas em sentido diocesano. Vimos que na fundação da Ordem o Bispo de Barcelona (Dom Berenguer de Palau) estava de comum acordo e que presenteou a nova Ordem fundada com a cruz de sua catedral. Significa dizer que a Ordem até este momento era uma comunidade restrita à Igreja de Barcelona ou aos cuidados do bispo de Barcelona. Agora, com a Confirmação, estará unida diretamente com o bispo de Roma. De fato, não dizemos fundação pontifícia da Ordem, mas apenas Confirmação Pontifícia, quer dizer, o sumo pontífice confirma aquilo que já existe na vida da Igreja. Tal confirmação aconteceu em 17 de Janeiro de 1235. Nesta data era Mestre Geral o mesmo fundador (Pedro Nolasco). A Vida Religiosa Mercedária crescia. Já possuíam três conventos e um outro foi aberto 14 dias antes de receberam a Confirmação do Romano Pontífice Gregório IX.

A bula de confirmação é chamada de Devotionis Vestrae. É uma bula breve em seu texto e simples em sua estrutura, mas profundamente cheia de sentido e significado para nós, Mercedários porque significa que a Igreja Universal já tinha tomado conhecimento de nossa vida e de nossa ação desde a Igreja particular de Barcelona. O IV Concílio de Latrão (convocado no ano de 1212 e celebrado no ano de 1215) proibiu a criação de novas Regras e ao mesmo tempo a Organização dos institutos até então aprovados de acordo com as Regras que seguiam. Quando da Confirmação Pontifícia de nossa Ordem o papa nos agregou ao grupo das Instituições que seguiam a Regra de Santo Agostinho.

PRIMEIRA VINDA DOS MERCEDÁRIOS AO BRASIL- 1639

Os Religiosos Mercedários chegam ao Brasil.

Os portugueses encontravam-se, na província do Maranhão, sem sacerdotes nem assistência religiosa, a causa do bloqueio ao que lhe submeteram os holandeses em guerra contra a Espanha, a cuja corôa pertencia então o Brasil. Para remediar essa situação resolveram organizar uma expedição comandada pelo capitão Pedro Teixeira, que fosse ao Equador em busca de sacerdotes. O certo é que comandada por Teixeira, partiu a expedição que, remontando as aguas do Amazonas devia atingir a governadoria de Quito. Em Quito saíram ao encontro dos expedicionários as autoridades civis, religiosas e militares que receberam com grande júbilo e honraram com enfáticos festejos e grande regozijo popular. Ali permaneceram até fevereiro de 1639. Durante a sua estada em Quito, o capitão lusitano pôde observar, como informa a Notícia, a grande veneração de que era objeto naquele Novo Mundo a Ordem de N. Sra. das Mercês. Dirigiu-se, então, com respeitosa súplica ao Bispo de Quito, Fr. Pedro de Oviedo, pedindo-lhe sacerdotes; e ao Pe. Provincial dos Mercedários, Frei Francisco Muñoz Baena, rogando-lhe se dignasse fundar um Convento em Belém do Grão- Para. Com tal objetivo prometia dar aos religiosos “solar para o Convento, terras de lavor de todo gênero e gado para sustentar a fundação”
O Pe. Provincial elogiou, reconhecido, o zelo nobre do capitão e assentiu presto, aquela solicitude, designando para realizar a primeira fundação mercedária no Brasil, quatros religiosos, dois dos quais, irmãos leigos e os outros dois, sacerdotes: o Pe. Alonso de Armijo e o Pe. Pedro de la Rúa Cirne. A eles se juntaram, no caminho, outros dois padres mercedários, um deles espanhol, de nome Frei Juan Carrasco, que logo aparecerá nas eventualidades do Convento de Belém com o nome de Frei João das Mercês. Os religiosos traziam de Quito os ornamentos sagrados, cruzes de prata, imagens e outros objetos do culto. O Pe. Rúa, chegado a Belém, a 12 de dezembro de 1639, de imediato meteu ombros à obra da fundação e com as generosas doações do cavalheiro cristão Mateo Cabral pode, já em março de 1640, abrir em Belém, o primeiro convento mercedário do Brasil. A Igreja das Mercês de Belém “reuniu preciosos trabalhos de talha, telas de valor artístico e alfaias preciosas” . Ao seu lado cresceu o Convento, que chegou a ser o mais importante e gracioso da cidade.

 SEGUNDA VINDA DOS MERCEDÁRIOS AO BRASIL- 1922 – CONVITE AOS MERCEDÁRIOS

Em 1922 o Papa Bento XV encomenda à Ordem a Prelazia de Bom Jesus do Gurgueia até hoje cuidadosamente atendida pelos Mercedários.

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SEGUNDA VINDA DOS MERCEDÁRIOS

Dom Otaviano, atendendo solicitação da Santa Sé, convidou os Padres Capuchinhos e a Congregação do Imaculado Coração de Maria, por já terem atuado, como missionários, no sul do Piauí. Por vários motivos, as respostas a este convite foram negativas. Em Roma, os Mercedários celebravam o Capítulo Geral e na ocasião foi eleito Mestre Geral o padre Inocêncio López Santamaría, amigo íntimo do Santo Padre Bento XV, terciário mercedário. Numa conversa particular, o padre Geral da Ordem pediu ao Papa para abrir uma missão na China. Então o Santo Padre expôs a dificuldade de encontrar missionários para o sul do Piauí, para a nova Prelazia. O padre Geral entendeu o convite e consultou os capitulares ainda em Roma.

Depois de regressar a Madri, em 12 de julho de 1921, o padre Inocêncio López comunicou à Santa Sé que aceita a proposta da Prelazia de Bom Jesus do Gurguéia e indica para Administrador Apostólico o padre Pedro Pascual Miguel Martinez, da Província de Castela, no momento, Provincial do México. Num manuscrito, dom Inocêncio relata o que o Papa disse a dom Pedro Pascual: “O Senhor pensava morrer no México, mas vai ser no Brasil”. Não foi nem no México nem no Brasil, pois faleceu na Espanha.

 CHEGADA DO ADMINISTRADOR APOSTÓLICO

O padre Pedro Pascual Miguel Martinez, depois de receber as instruções do Papa Bento XV e as normas do Geral da Ordem Mercedária, empreendeu viagem para o Brasil. Passando pela Espanha, a ele se juntou o jovem entusiasta padre Francisco Freiria, também da Província de Castela. De passagem pelo Rio de Janeiro, se apresentam ao Núncio Apostólico, dom Henrique Gasparri e se dirigem ao Nordeste.

Instalou-se em São Raimundo Nonato, em julho de 1922, depois de longa e penosa viagem.

DOM PEDRO PASCUAL MIGUEL MARTÍNEZ, PRIMEIRO BISPO PRELADO

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DOM PEDRO PASCUAL MIGUEL

Dom Pedro nasceu em 1870, na Província de Burgos, na Espanha. Em 1887 ingressou na Ordem Mercedária, ordenando-se sacerdote cinco anos depois. Tendo exercido o cargo de Superior em algumas casas da Província de Castela, na Espanha, foi destinado ao México para restaurar aquelas comunidades mercedárias. Tinha 51 anos quando recebeu a missão de administrar a Prelazia de Bom Jesus do Gurguéia. Trouxe como secretário o padre Francisco Freiria Mallo. Os dois partiram da Espanha, em meados de janeiro de 1922, com destino ao Rio de Janeiro, a fim de se encontrarem com o Núncio Apostólico, dom Henrique Gasparri. De lá, se dirigem para o Nordeste num navio do Loide Nacional, desembarcando em Tutóia, no delta do Parnaíba.

A viagem do Rio de Janeiro para São Raimundo Nonato foi uma odisséia tanto pela demora, como pelos sofrimentos, devido os transportes. Depois de navio a vapor pelo rio Parnaíba, e de burro, a partir de Floriano, onde aguardava os missionários, o vigário de São Raimundo Nonato, padre Marcos Francisco de Carvalho. O trajeto de 380 quilômetros de Floriano a São Raimundo Nonato foi feito em 25 dias. O padre Pedro dá o nome a esta viagem de “calvário verdadeiro”.

SEDE VACANTE

Durante a ausência de dom Pedro, e após a sua morte, ficou como Administrador Apostólico o padre Mariano Ferrer, que também teve que viajar para a Espanha, ficando o padre Francisco Freiria Mallo como suplente.

DOM RAMÓN VICENTE HÁRRISON ABELLO, SEGUNDO BISPO PRELADO

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DOM RAMÓN VICENTE HÁRRISON

No dia 10 de novembro de 1926 a Santa Sé preenche sede vacante com a nomeação do segundo bispo da Prelazia, dom Ramón Vicente Hárrison Abello, com o título de Podália. Nascido em Concepción, Chile, a 27 de fevereiro de 1887, foi sagrado bispo em Santiago do Chile a primeiro de maio de 1927, e tomou posse no dia 2 de outubro do mesmo ano. Nem mesmo chegou a conhecer a sede da Prelazia, pois, enfermo retirou-se para sua terra. Faleceu em Concepción, Chile, no dia 9 de agosto de 1949.

SEDE VACANTE

Com a renúncia de dom Hárrison fica novamente vacante a Prelazia. Quem assumiu a administração, de 1926 até 1930, foi o padre Pedro Mercedes Sánchez, mercedário peruano.

DOM INOCÊNCIO LÓPEZ SANTAMARIA, TERCEIRO BISPO PRELADO

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DOM INOCÊNCIO LÓPEZ SANTAMARIA

No dia 31 de agosto de 1930 era ordenado bispo como terceiro bispo Prelado, dom Inocêncio López Santamaría, com o título de Trebenna. Devido a situação política da época, não podia entrar no País. Porém, a influência do Senhor Cardeal do Rio de Janeiro, dom Leme, facilitou a sua vinda para o Brasil, chegando aqui em principio de 1931 e tomando posse em São Raimundo Nonato no dia 18 de fevereiro do mesmo ano.

Dom Inocêncio nasceu na Espanha, na pequena cidade de Sotovellanos, Burgos, a 28 de dezembro de 1874. Ocupou todos os escalões da hierarquia na Ordem de Nossa Senhora das Mercês. E sendo Mestre Geral, em      Roma, intermediou a vinda dos mercedários para a missão do Piauí.

Durante 27 anos de pastoreio nesta Prelazia a ele encomendada, trabalhou com todo o zelo apostólico nas freqüentes visitas a todas as paróquias da Prelazia, sem medir esforço. Uma das grandes preocupações deste santo bispo foi a formação do clero autóctone, ordenando figuras de relevo como nossos saudosos padre Nestor Dias Lima, padre Sólon Pinto de Aragão, padre Raimundo Dias Negreiros, e o Padre Raimundo Araújo (padre Dico), todos de feliz recordação. Ordenou ainda o padre Manoel Lira Parente, que hoje reside na cidade que leva o nome deste digníssimo bispo.

Dom Inocêncio foi o grande motivador e impulsionador da fundação da Congregação das Irmãs Mercedárias Missionárias do Brasil, fundada em primeiro de agosto de 1938 pela Madre Lúcia Etchepare, sob a proteção de Santa Teresinha do Menino Jesus e de São Raimundo Nonato. Num Livro de Memória, disse textualmente: “… estas religiosas têm sido para nós uma bênção do céu, pois desde aquele ano muitas jovens já se formaram em suas casas “.

Dom Inocêncio deu grande incentivo à educação e apoiou a criação do Ginásio em São Raimundo, que depois receberia seu nome e que foi um marco na cultura da região.  Já muito cansado dos trabalhos apostólicos, Roma concedeu-lhe um auxiliar na pessoa de Dom José Vázquez Díaz. Dom Inocêncio faleceu santamente no Hospital Espanhol de Salvador, Bahia, no dia 9 de março de 1958 e foi sepultado na Catedral de São Raimundo Nonato.

DOM JOSÉ VÁZQUEZ DÍAZ, BISPO AUXILIAR E QUARTO BISPO PRELADO

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DOM JOSÉ VÁZQUEZ DÍAZ

Dom José nasceu na pequena cidade de Chavaga, Província de Lugo, Espanha, no dia 20 de novembro de 1913. Ocupou diversos cargos na Província mercedária de Castela e foi ordenado bispo auxiliar de Dom Inocêncio no dia 9 de setembro de 1956 com o título de Usula. O padre Carlos Martinez Esteban foi delegado para tomar posse na Catedral de São Raimundo, pois o bispo eleito estava de viagem a Porto Rico, atrás de recursos para organizar a Prelazia, como assim o fez na Festa da Imaculada Conceição, dia 8 de dezembro de 1956.

Dom José chegou a São Raimundo Nonato no mês de março, impondo a condição de morar na sede da Prelazia, Bom Jesus do Gurguéia. Concedida a autorização, transferiu-se para a dita cidade e, com o falecimento de dom Inocêncio, o sucede como quarto Prelado. Transferiu definitivamente para Bom Jesus a sede da Prelazia no ano 1958.

SÃO RAIMUNDO NONATO, A NOVA PRELAZIA

b39d71fb54ef00419bd516f5ce75Dom José, vendo as realidades contrastantes destes dois lugares, sente a necessidade de requerer de Roma a divisão da Prelazia em duas. É o lema da estratégia romana “divide e vencerás”. E no dia 5 de janeiro de 1959 escreve uma carta à Sagrada Congregação Consistorial do Vaticano expondo todas as razões para que se efetue a divisão. Convencida a Santa Sé, decide-se pela divisão, autorizando-a pela Bula Papal de João XXIII “CUM VENERABILIS”, de 17 de dezembro de 1960.

Efetuou-se a divisão com a leitura da Bula na Catedral de São Raimundo Nonato numa celebração solene, perante as autoridades: dom Armando Lombardi, representado pelo Senhor Arcebispo de Teresina, Dom Avelar Brandão Vilela, e os bispos do Piauí, dom Edilberto Dinkeiborg, bispo de Oeiras, e dom José Vázquez Díaz, bispo da outra prelazia, no dia 19 de dezembro de 1961. Assistiram a este evento grande número de fiéis.

DOM AMADEO GONZÁLEZ FERREIROS, PRIMEIRO BISPO PRELADO DE SÃO RAIMUNDO NONATO

Com a sede da nova Prelazia vacante, a Santa Sé escolheu o primeiro Prelado Nuliius na pessoa de dom Amadeo González Ferreiros, em dezembro de 1962. Dom Amadeo nasceu em Sindrán, Monforte, Lugo, Espanha, a 23 de junho de 1911. Ocupou vários cargos de relevância na ordem mercedária até que foi nomeado bispo de São Raimundo Nonato.  Tomou posse na Catedral Prelacial, em São Raimundo Nonato, a 6 de maio de 1962, após uma grande recepção. Autoridades da cidade foram a Remanso, na Bahia, para esperar o enviado de Deus e, em caravana até São Raimundo, passaram pelos lugares engalanados, ao longo da estrada de Remanso. Chegando a São Raimundo, é recebido festivamente e, após, longos discursos do Prefeito, sr. José de Castro, Ariston Dias e Pio Mendes, subiu ao palanque, preparado para o evento, e celebrou a santa missa.

No dia 24 de fevereiro de 1963 o Santo Padre, o Papa Paulo VI, o nomeou primeiro bispo Prelado com o título de Mestre, sendo ordenado na Igreja de Nossa Senhora das Mercês, de Ramos, no Rio de Janeiro, a 19 de maio de 1963. Por motivo de doença entregou o cargo à Santa Sé em fevereiro de 1968. O seu governo na Prelazia foi marcado pela ausência, devido ao desenlace do Concilio Vaticano II do qual participou em Roma. Morreu na Basílica mercedária de Santa Maria das Mercês, em Madri, no dia 20 de março de 1995, e foi enterrado na cidade natal de Sindrán, Espanha.

 DOM CÂNDIDO LORENZO GONZÁLEZ, SEGUNDO BISPO PRELADO  E PRIMEIRO BISPO DIOCESANO

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DOM CÂNDIDO LORENZO GONZÁLEZ

Com a renúncia de dom Amadeo foi escolhido para pastorear a Prelazia de São Raimundo Nonato, dom Cândido Lorenzo González, nascido a 23 de setembro de 1925, em Santa Maria de Laroá, Ourense, Espanha. Quando foi escolhido bispo, era superior na casa mercedária de Ramos no Rio de Janeiro. Foi nomeado bispo pelo Papa Paulo VI, a 05 de dezembro de 1969, com o título de Scardona. A ordenação foi na Igreja mercedária de Ramos, a 19 de março de 1970, pelo Cardeal, de saudosa memória, dom Jaime de Barros Câmara. No dia 5 de abril de 1970 tomou posse em São Raimundo Nonato com grandes festejos e a alegria desse povo simples e bom.

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SÃO RAIMUNDO NONATO É ELEVADA A DIOCESE

SÃO RAIMUNDO NONATO É ELEVADA A DIOCESE

A nossa Prelazia cresceu e organizou-se, e Roma achou por bem elevá-la à categoria de Diocese, pelo Papa João Paulo II, com a Bula “Institutionis Propósitum”, de 03 de outubro de 1981. Sendo o primeiro bispo diocesano, dom Cândido Lorenzo González permaneceu até o dia 17 de julho de 2002. No mesmo dia, foi nomeado 2º bispo diocesano de São Raimundo Nonato, dom Pedro Brito Guimarães. E no dia 14 de setembro do mesmo ano, em solenidade magnífica no Bosque das Algarobas, foi ordenado bispo e tomou posse como bispo diocesano de São Raimundo Nonato.

 


CRIAÇÃO DA PROVÍNCIA- 2007

No dia 3 de Janeiro de 2007, foi criada a Província Mercedária do Brasil. A criação se deu no 1° Capitulo Provincial realizado em São Paulo. O primeiro Governo Provincial foi composto por:

 

Os Religiosos Capitulares decidiram que a celebração das festas de instituição da nova Província fosse feitas em Julho, conforme programado, para coincidir com os 85 anos da chegada dos Mercedários ao Piaui. A data escolhida foi de 19-21 de Julho de 2007, na nova sede da Província, Brasília- DF. O evento foi enriquecido com maravilhosos pronunciamentos, palestras, celebrações eucarísticas, apresentações culturais, marcando de forma bela e significativa, o Acontecimento. Esse evento contou com a gratificante e fraterna presença dos Senhores Bispos: Dom José Freire Cardeal Falcão, Arcebispo Emérito de Brasília- DF, Dom Geraldo Cardeal Majella, Arcebispo de Salvador- BA e Presidente da CNBB, Dom Frei Cândido Lorenzo Gonzaléz, O.de M. Bispo Emérito de São Raimundo Nonato- PI e Dom Frei Ramón Lopéz Carrozas, O. de M. Bispo de Bom Jesus do Gurguéia- PI. E do mestre Geral, Padre Fr. Giovannino Tolu e os seguintes Provinciais: Frei Florêncio Roselló, provincial de Aragão- Espanha; Frei Justo Linaje, provincial de Castela- Espanha; Frei Juan Carlos Saavedra, provincial do Peru; Frei Edgardo Arriagada, provincial do Chile; Frei Carlos Gomes, provincial da Argentina; Frei Salvatore Bonu, provincial da Itália; Frei Joel Tapia, provincial de Quito- Equador; Frei Alfredo Quintero, provincial do México e os Vicários Provinciais: Frei Francisco Gargallo, vicário da Venezuela; Frei Gustavo Sánchez, Vicário de Centro- América; Frei José Maria Reyes Garcia, Vicário de Porto Rico e Frei Richard Rash, vicário dos Estados Unidos e as Religiosas Mercedárias: Da caridade, Irmã Maria das Graças e as Missionárias do Brasil, as irmãs: Maria de Fátima Neri, Ivone Bittencourt, Maria das Dores Leite da Silva e Maria do Socorro Miranda. Estavam também os formandos de toda Província e caravanas de todas as nossas comunidades (São Raimundo-PI, Corrente-PI, Ramos-RJ, Guadalupe-RJ, São Paulo-SP, Salvador- BA, Brasília- DF e Bom Sucesso- MG). Este momento é sem duvida alguma, muito especial, não somente para os Mercedários, que trabalhamos no Brasil, como para toda Ordem Mercedária. Depois de tantos séculos, a Ordem cria mais uma Província na Igreja a serviço dos novos cativos. A criação da nova Província é resultado de muitas gerações que nos permitiram chegar até aqui. Foram dados passos significativos na estrutura do nosso Vicariato do Brasil: a expansão das casas, o aumento das vocações (isto é uma dádiva de Deus), os trabalhos sociais, o crescimento da família mercedária. O panorama da Província Mercedária do Brasil, instalada, apresenta-se satisfatório e esperançoso. Estende-se pelo Nordeste, Centro e Sudeste brasileiros com oito comunidades ubicadas nos Estados do Piauí, Bahia, Minas, São Paulo, Rio e Distrito Federal. Atende oito Paroquias, quatros casas de formação: aspirantado (Guadalupe- RJ), Postulantado (Brasília- DF), noviciado (Pituba-BA) e teologado (São Paulo). Administra Quatros Colégios no Rio de Janeiro, São Paulo e Corrente- PI.

E no campo social, várias creches em todas as suas comunidades. Conta com 32 religiosos sacerdotes, dos quais 14 espanhóis, 18 brasileiros, 2 diáconos, também brasileiros, 5 aspirantes, 16 postulantes na Filosofia, 6 noviços e 14 professos de votos simples no Teologado. Tem um bispo diocesano, em exercício nas missões e um emérito, em Salvador-BA. As associações Leigas Mercedárias (AlMs), substituído as anteriores Confrarias, promovem Congressos com a participação também dos religiosos e religiosas dos três ramos mercedários, atuantes no Brasil. Publica-se a Revista “Mercê” antes “Horizontes Mercedários”, como meio de divulgação e informação.
A Província Mercedária do Brasil, recebe como Patrono  São Raimundo Nonato.